Mais do Mesmo


Eu não sou especial, nem normal
Nem tão pouco Pessoa diferente
Também não sou igual ou paranormal
Hiperativo ou, simplesmente: saliente,
Ou à toa.

Não sou isto, nem aquilo
Não sou Coralina, nem Meireles,
Nem de Moraes, Nem Vinícius ou Lispector
Sou mesmo é difícil de me encaixar, confesso.

Eu sou, talvez, um pouco de tudo
Em diversos artifícios, astúcias
Pseudônimo ou heterônimo
Complexo para se explicar.

Um bicho sem rótulos, meio gente
Mais do Mesmo, acumulado
Um monte de palavras repetidas
Com emprego legítimo, em certos casos.

Sei que tenho vícios de linguagem
Mas não sou um vicioso pleonasmo
E mesmo sendo redundante, excessivo
Me considero um bom falante
Um poeta, um literário
Ou um ensaísta bufante, supérfluo.

Minha intenção é usar da licença poética
Para vez em quando, quebrar regras
Com recursos da estilística e da semântica
Deixar mensagens pelas arestas.

Quero “ri meu riso e derramar meu pranto”
Como fez Vinícius, Drummond e Miguel de Cervantes
Nesse nosso ofício de escritos delirantes
Meu cavalo é selvagem, Eliakin sem rédeas,
No lavrado verde, passear, radiante.

Não sei se claramente me expresso
Nos meus primários e secundários versos
Mais do Mesmo, meu protesto é livre
Meu mundo real, imaginário vive Nas Artes, de um imperfeito artífice.

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