Quando um teatro vai ao chão,
não é só a
madeira que desaba,
nem apenas o
telhado que se entrega
ao peso das
chuvas e dos silêncios.
Vai ao chão um
tempo inteiro:
os risos que
ecoaram nas coxias,
a lágrima que
secou sob a luz quente,
o sonho que
tremeu no peito de um ator.
Quando um
teatro cai,
vira poeira a
coragem de um povo
que ali acendia
a própria alma
para não ser
engolido pela noite.
Mas também
nasce um grito,
um chamado que
fervilha no corpo:
“Reconstruam!
Reergam!
A Arte não tem
ruína que a cale.”
Porque o teatro
é mais que paredes;
é o sopro de
quem declama,
é o passo firme
de quem dança,
é a música que
se recusa a morrer.
Quando um
teatro vai ao chão,
a terra treme —
não de dor,
mas de
promessa:
de que toda
queda anuncia recomeço.
E assim, entre
os restos e as recordações,
ergue-se a
memória que ninguém destrói.
E naquele chão
de histórias,
onde a poeira
ainda guarda aplausos,

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